Le cliché parfait

Quem nunca criou mil expectativas antes de uma viagem? Acho que é inevitável quando se espera tanto tempo para conhecer algum lugar. Eu costumo não criar muitas, tentando assim não me decepcionar, mas claro que sempre espero/torço pelo melhor. Só que quando se fala de Paris, você nem precisar criar novas expectativas, é normal ir atrás do clichê.

A única coisa que o Amir me perguntou antes da viagem foi: “Você não é daquelas fascinadas por museus e outros passeios culturais, certo?”. Como ele já morou lá, sabe que a cidade é um prato cheio pra quem gosta. E eu respondi, prontamente: “Não não!”. O plano era conhecer todos os pontos turísticos, tirar fotos, conhecer rapidamente a história do local e partir pra outro ponto. Mas a cidade é enorme, e esquecemos o quão cansativo isso pode ser. Tivemos 4 dias pra ver tudo, fazer compras e se curtir um pouco. Em quatro dias é possível, sim, ver tudo, mas superficialmente. Se você quiser realmente ver as catedrais por dentro, subir na Torre Eiffel, conhecer as obras dentro do Louvre e muito mais, pode se preparar para horas e mais horas de fila. E sinceramente, na minha lua de mel, a última coisa que eu queria era passar 3 horas na fila embaixo do sol com meu marido.

Andar e trocar de metro o tempo todo cansa e da fome. Mas lugar pra comer e preços variados é o que não falta em Paris. Como eu não sou amante da culinária e o simples sempre me agrada, não fomos a nenhum restaurante comer rã nem Foie gras (desculpa, mas eu acho um absurdo!). O que me impressionou foi a diversidade de restaurantes, seja ele mini ou grande. E com o sobrenome egípcio que agora eu tenho, veio também o gosto pela culinária árabe, então comemos basicamente, kebab (árabe), Panini (italiano) e Croassant (francês). No penúltimo dia achei um restaurante chamado Saudade e eu podia jurar que é brasileiro, mas estava fechado e não pude tirar a prova. Churros, cafe e frutas frescas da feirinha fofa perto do hotel também fizeram parte do cardápio.

E a minha paixão! Starbucks muito mais barato que na Suíça. Como eu coloquei um piercing labret, só podia tomar café gelado, então me esbaldei!

Eu sou do tipo que acha feio a pessoa voltar de viagem falando horrores da cidade. Uma coisa é ser muito ruim, outra é ser diferente do que você está acostumado. Mas tem uma detalhe que eu preciso dizer que é ruim: o mau cheiro dentro dos metrôs, seja ele de esgoto ou de algumas pessoas. Não é à-toa que a piada do perfume francês existe #prontofalei         Mas por outro lado, o metrô facilita muito a vida dos parisienses e é super rápido e prático.

Outra coisa chatinha são as filas pra entrar em alguns locais. É incrível como a cidade é lotada de turistas todos os dias, e olha que eu fui em dia de semana. Os japoneses/chineses tomam conta da cidade! haha Teve apenas uma fila que decidimos encarar. Como Paris é do lado da Suíça, decidimos conhecer melhor os monumentos em outra ocasião, já que eles não mudam de lugar né! Mas eu descobri que no Centre Pompidou, o artista fotógrafo francês JR, famoso por fazer fotos gigantes e colar pelos muros da França, estava fazendo fotos de identidade gigantes de graça. Passamos por lá no penúltimo dia e a fila estava enorme, então decidimos voltar no último dia, esperar na fila, fazer a foto, pegar as malas no hotel e ir para o aeroporto. Resumo da história: acordamos cedo e fomos pra fila. Tinha 40 pessoas na nossa frente. Esperamos duas horas, e ainda tinham 25 pessoas na frente. Perdemos tempo na fila e voltamos pra casa sem a foto de recordação. Raiva? Quase nada!

Se tem uma coisa que eu aprendi e posso aconselhar é: vá para um lugar calmo e sem muitas atrações se você quer só curtir momentos com seu marido na lua de mel. Raros foram os momentos em que eu e o Amir aproveitamos a companhia um do outro. Estávamos sempre ocupados indo de um lugar para o outro, na ânsia de ver o quanto mais melhor. Mas no fim posso dizer que mesmo assim valeu muito a pena. A cidade é gostosa de andar e o clima estava maravilhoso.

Mas olha só como as coisas mudam. No início do passeio eu não queria de jeito nenhum passar muito tempo dentro de museus e catedrais. Queria mais é andar e ver tudo ao ar livre. No último dia senti falta de ir ao teatro e visitar a Ópera. O edifício é enorme e magnífico por fora, imagina por dentro! Aquela garota que chegou em Paria dizendo “não não” ao cultural da cidade, hoje voltaria à Paris apenas pelos teatros, museus e exibições. Vá a Paris um vez para ver a cidade, mas volte para conhecê-la.

Eu gosto sempre do melhor no final, e na minha lua de mel não poderia ser diferente. O último dia de passeios foi fechado com chave de ouro. Sentados à frente da Basílica de Sacré Coeur, tendo a cidade toda como vista, conseguimos finalmente relaxar e curtir um dos momentos mais marcantes da minha vida! A energia estava demais naquele fim de tarde.

Essa é a recordação mais gostosa que tenho da cidade. Um perfeito au revoir Paris!

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Aproveitando o tema, vou deixar aqui um filme de Cedric Villain, um francês que nunca comeu rã, não gosta de vinho, bebe champagne duas vezes ao ano e não mora em Paris. Achei super irônico, e como eu sempre digo, os clichês existem por um bom motivo! Para saber mais sobre o trabalho de Cedric, clica no nome dele aí em cima!